Pastor Fabio Castro

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Mensagem 29.05.2011 Noite

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PELO QUE LUTAMOS?

“Perguntaram os príncipes dos filisteus: Que fazem aqui estes hebreus?” (I Samuel 29 e 30).

Todos sabiam, os filisteus eram os verdadeiros inimigos. Davi tornou-se notável exatamente por tê-los vencido aos milhares, matando, inclusive, o seu grande campeão, o gigante Golias. Mas chegou um momento da vida em que as conveniências tornaram-se mais interessantes do que sua própria ética. Davi violentou certamente muitos dos seus princípios quando decidiu marchar em batalha ao lado dos filisteus, em Afeque. Do outro lado, junto à fonte de Jezreel, estavam seus adversários, os israelitas.

Por mais que as conveniências dos fatos expliquem, parece injustificável que o futuro rei de Israel perfilasse ao lado dos seus adversários históricos para guerrear contra seu próprio povo. Mas foi isso que aconteceu. Não fosse a rejeição dos príncipes filisteus ao apoio de Davi, o pequeno pastor teria subido ao trono com as mãos cheias de sangue hebreu.

Devemos ter, sem dúvida, uma ligação antropológica muito forte com Davi. Será que, em algum momento de sua história, ele poderia prever que um dia seria aliado de um filisteu?

Assim como Davi, nem um louco seria capaz de afirmar que o trabalho é mais importante que a família. Ninguém admitiria conscientemente que seus filhos e o cônjuge são menos importantes do que os amigos, ou do que seu carro, ou mesmo do que sua casa. Todos, sem excessão, reconhecem que o segredo de ter uma família abençoada é dedicar tempo, cuidado e afeto sem medida. Mas porque fazem exatamente o contrário?

Será que herdamos do herói da fé também as suas contradições? Quando a vida nos pressiona, quando o futuro passa a nos assustar, quando as cobranças e as expectativas da sociedade nos exigem respostas, desempenho e resultados, relativizamos tudo, atropelamos a ética, negociamos nossos valores, violamos nossos princípios. E tudo absolutamente amparado e respaldado por alvos e motivações aparentemente justas e necessárias, mas que são, na realidade, a profanação de todo sagrado que faz nossa existência relevante; a inversão das nossas prioridades mais essenciais.

O trabalho, outrora um meio a serviço do bem-estar da família, tornou-se senhor do nosso tempo; fez-nos escravos dos objetivos de outrem. Bens e valores, adquiridos para o prazer e conforto, tornaram-se a razão das nossas discórdias. Diplomas conquistados com muito suor e celebrados por todos, abriram as mesmas portas que depois fechamos, deixando do lado de fora todos os que se sacrificaram pelo nosso sonho.

Nosso medo, misturado às nossas ambições, transformaram amigos em inimigos e inimigos em amigos. E assim, como Davi, fizemos aliança com filisteus e guerra com hebreus. Que louca contradição!

Retirado da batalha – pois nem os próprios filisteus entendiam o que os hebreus faziam ali – Davi voltou para casa e, para seu desespero, descobriu que enquanto lutava suas guerras pessoais, havia deixado, mercê da sorte, aquilo que, a todo tempo, deveria ser o bem mais precioso a ser protegido: sua família.

Quando Davi e seus homens chegaram à cidade, encontraram-na queimada a fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas, levados cativos” (cap. 30 verso 3).

Pensemos nisso. Enquanto nos ocupamos com nossas guerras inúteis, quem tem lutado pela nossa família?

Em Cristo, aquele que guarda a cidade onde haja uma sentinela alerta.