Rev. Marcos Amaral

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Posts de Rev. Marcos Amaral

O Lar, a Cruz e o Desejo

Todos queremos um lar, local dos sonhos, ambiente do encontro, cenário onde amor, fidelidade e compreensão estão harmonizados.

Entretanto, também poderíamos dizer que o lar é algo projetado, pensado estratégica e responsavelmente. Não é algo como a maçã de Newton, mas, bem ao contrário, deve ser como os sistemas do pensamento de René Descartes.

Não cabe emoção quando nos lançamos a um projeto, não cabem sentimentos que são ervas venenosas e inebriantes, que podem colocar em risco a seriedade e consistência do projeto. Logo, compreendamos isto, o lar é fruto de um projeto pensado, analisado e amadurecido processualmente dentro de nós.

Acho curioso quando ouço o drama dos jovens que, a despeito de toda entrega e seriedade, se acham pouco recompensados pela vida, que, a seu juízo, lhes deveria ser mais generosa.

É improvável conquistarmos, desde o nascedouro, um projeto, sem determinação. Sim, acho improvável! Acho que a cruz do Senhor significa isso: coragem e determinação; que para mim são sinônimos!

Pois deixem-me dizer algo a todos vocês: não estamos numa igreja com 500 membros, cultos lotados, receita de 90 mil reais mensais, estrutura administrativa e material complexa e plural. Então levantemos e mãos à obra. E tenho dito!

Um projeto não é como a lua e o sol, não virá por si mesmo, apesar de ter sido maduramente pensado. Precisar-se-á de coragem, determinação, e, frequentemente, de muitas cruzes.

Os sofistas, pais dos grandes oradores gregos, desenvolveram em seus debates um novo conceito de herói. Para eles, não só seriam aqueles hábeis na arte de guerrear, mas, sobretudo, aqueles que eram capazes de dominar os seus desejos. Pois são os deleites da vontade os grandes inimigos do ser, por conseguinte, do propósito almejado.

O desejo quando mal administrado torna-se perda de vida, um desvio a levar-nos para longe do alvo, e, em última análise, coloca-nos diametralmente opostos a este. Portanto, se queremos, ao definir um propósito, atingi-lo, fiquemos muito atentos aos desejos e suas insaciáveis pulsões.

Lar, cruz e desejo podem andar juntos e harmonizados, e apesar de não ser algo fácil, saibamos todos ser possível, muito mais quando os colocamos sob a ótica de Jesus e seu evangelho.

Rev. Marcos Amaral

 

Uma Idade Especial

Quarenta, seus submúltiplos e múltiplos são bastante comuns na Bíblia Sagrada, em seu relato na história de Deus junto ao seu povo. Quatro, quarenta  e quatrocentos são figurantes, não poucas vezes, na saga dos hebreus, o povo menina-dos-olhos do Deus Altíssimo.

Aos 40 anos o grande e incomparável líder Moisés foi exilar-se no deserto de Mídiã, onde permaneceu outros 40 anos, para de lá libertar, em nome de IAVE, o seu Israel amado.

Parece querer Deus comunicar não só a importância de alcançarmos maturidade, bem como um tempo essencial para compreendermos coisas que são depuradas e aperfeiçoadas pelo tempo.

Quatro foram os dias que Deus ordenou a Moisés que deveria marchar para dentro do deserto, após retirar seu povo de sua escravidão egípcia, para então parar e prestar-lhe culto. Com isso o Senhor nos ensina que o local de sua adoração deve estar absolutamente dissociado de locais que signifiquem violência, exploração, desrespeito à vida humana.

Quarenta foi o número de dias durante os quais, copiosamente, repousaram as águas sobre a terra, dando-nos o Eterno ensinamento de que não há dano que dure todo o tempo, bem como privação que não cesse, bastando manter nossos olhos fixos e ancorados Nele.

Quarenta foram os anos em que o povo hebreu ficou itinerante no deserto, perdido num labirinto de areia, calor e sol, onde testemunhou chagas, pragas, dor, provações, para finalmente ver dizimada toda geração de idosos e adultos, sobrevivendo jovens e crianças. Diante de que nos revela o Todo Poderoso que, ainda que sua ira nos assalte, com ela se faz acompanhar a sua incessante misericórdia a promover a renovação e continuidade da vida.

Quatrocentos foram os profetas que, diante de Elias, foram desafiados a realizarem milagres em nome de seu deus Baal, sendo envergonhados pelo poder de Deus de Israel, manifestado diante do clamor sincero do profeta Elias. Com isso, o Senhor dos Exércitos nos ensina que, a despeito daqueles que estão contra nós, Ele sempre será nosso refúgio e fortaleza.

Também 40 foram os dias que o Senhor Jesus permaneceu no deserto após o revestimento do Espírito Santo, para exatamente ser testado. Portanto, o nosso bondoso Deus não só nos enche com sua graça, bem como nos quer ver preparados, maduros, crescidos e, portanto, em nos submeter a alguns desertos, por algum tempo.

Quarenta são os anos da IPJ nesse tempo chamado agora, e cabe uma singela pergunta: o que o Pai das Luzes nos quer comunicar? O que o Deus do Caminho pretende de nós? Somos a geração capaz de honrar as gerações passadas. Podemos com nossa dedicação, incontáveis talentos e dependência Nele continuar a alargar as estacas do Reino de Deus.

Feliz 40 anos, IPJ!

Seu pastor e admirador.

Rev. Marcos Amaral

 

Pitadas da Graça

“Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1.37).

Deus cumpre suas promessas e ponto final. Essa é a forma mais segura para começarmos a contar qualquer história de Deus. É como se fossemos chamados para ver um filme que já se sabe o final, ou seja, o mocinho casa com a bela solitária; o mal é desterrado pelo insuperável bem. Entretanto, em relação à vida humana, ter a garantia do final da história nem sempre garante um enredo agradável, tranquilo e alinhado com seu desfecho.

Maria pergunta ao anjo como teria um filho sem conhecer um homem, diante do que o anjo lhe garante que, apesar de também não saber muito bem o caminho dessa emblemática história, o seu final será efetivamente convincente, ao dizer: Deus cumpre as suas promessas.

Não conseguimos ver com clareza os caminhos propostos pelo Todo Poderoso. Por mais que nos esforcemos em confiar e olhar para o vitorioso final da história, como Pedro ao andar sobre o mar, muitas vezes nos deixamos levar pelos sentimentos e somos traídos pelas sensações que revelam um quadro muito diferente das promessas divinas.

Lembra como Elias foi tomado pelo pavor da morte e, como criança, afugentou-se na caverna, de onde provavelmente não sairia, não fosse a exigência do Senhor que de lá saísse? É assim mesmo que acontece conosco. Ainda que o Eterno nos prometa vitória, sua companhia e um final feliz, mesmo assim, diante de algo que ameace nossos sentidos e senso de preservação da vida, normalmente pouco ou quase nada nos lembramos das promessas divinas, para nos guiar tão somente pelas sensações do momento.

Chamo esse momento de Pitadas da Graça. São manifestações sobrenaturais, vindas dos céus para nos acalmar a alma, fazer serenar nossos sentidos fragilizados e responder a nosso ser abalado e desmoralizado pela lamentável constatação de como somos temporais e descrentes em Deus, para sermos crentes em nós mesmos dando amplitude a nossos temores.

Deus é generoso. Deus é bom. Deus é compreensivo. Deus é fiel. Deus é humano.

Acho que o atributo mais valioso em Deus é o fato Dele ser humano. Se assim não fosse, ser-Lhe-ia improvável compreender com tanta compaixão e exatidão o que eu e você sentimos. Mas, como é também de carne e osso, sabe bem como nos sentimos quando nos vemos frustrados; quando nossa família nos escapa entre os dedos; quando nossas realizações não emocionam nem a nossos mais chegados; quando nossos esforços são incapazes de nos fazer alçar vôo. Sabe o Deus-homem como essas coisas são consequentes em nós.

Tola e irresponsavelmente imagino: como seria nossa vida sem as Pitadas da Graça de Deus?

Vida, sem ela? Impossível! Pois a vida procede dela, realiza-se através dela e toma sentido somente nela.

Que o Deus da graça nos atinja com suas muitas pitadas.

Revitalização – o caminho para o crescimento saudável

Rev Marcos Amaral