Textos
O DEUS QUE SUPRE
14/07/11
“Ora, o Deus de toda graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A ele seja o domínio, pelos séculos dos séculos. Amém” (1 Pe 5.10,11).
Não ficar ansioso é antes de tudo tomar consciência de que não somos deuses, e que, portanto, ora somos capazes de determinar os fatos, ora não. É morar no monte da certeza, onde, mesmo que os fatos não favoreçam nossas expectativas, cremos que o Senhor cuida de nós.
Ex 14.15
Haverá um momento dentre tantos que será especial, aquele em que, ou submetemos o nosso projeto de vida à falta de certeza de respostas positivas, ou mergulhamos como se fôssemos acrobatas, entregues à esperança de que Deus proverá.
Gn 22.8
É impossível entender Deus e isto é canseira e enfado. Quem pode compreender a mente do Senhor e determinadas atitudes do Senhor dos céus. Afinal Ele surpreende a todos.
1 Co 1.27; 1 Pe 3.8
Temos vivido momentos desafiadores na IPJ. Sedimenta-se a cada dia a presença de uma liderança madura, disponível e pastoral, que seja capaz de conduzir o rebanho sob a supervisão pastoral. Vemos novamente, após um período de intenso sacrifício monetário em torno do pagamento da casa, a IPJ retomar sua vocação missionária nos congressos evangelísticos de casais, jovens e adolescentes. Louvamos também ao Senhor pela compreensão crescente e estável do povo quanto a sua fidelidade nos dízimos, o que dá oportunidade a um maior avanço do Reino.
“E o meu Deus, segundo as suas riquezas em glória, há de suprir em Cristo Jesus, todas as nossas deficiências” (Fp 4.19).
Tenho esperança de que o Senhor Deus, através do seu Espírito Santo, continuará a mover o coração do povo para servir, e servir com excelência.
O Reino de Deus requer consagração de vida e mudança de atitude, mas também compromisso em construí-lo.
Asseguro, com a autoridade que a palavra do Senhor me confere, que somos vencedores, porquanto o Senhor se agrade de nós.
“Se o Senhor se agradar de nós, então nos fará entrar nessa terra, e no-la dará: terra que mana leite e mel” (Nm 14.8).
Deus, o Senhor da igreja nos sustente e nos dê vitória.
Seu pastor,
Rev. Marcos Amaral
É o Senhor!
10/07/11
“Então, veio o SENHOR, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve” (1 Sm 3.1-18).
Eli, depois de muitos anos de serviço ao Senhor, e que um dia por certo teve seu coração aquecido como o de John Wesley, sucumbiu a seus desejos, acabou distraindo-se consigo mesmo, fragilizou-se no corre-corre da vida, a ponto de negociar o inegociável. Enveredou-se pelo amor desmedido por seus próprios filhos, a ponto de fazê-los seu objeto de adoração, colocando-os no lugar de Deus.
Um dia, diante de Eli estava o menino Samuel, que fora consagrado de forma emocionante por sua própria mãe muitos anos atrás, que sacrificialmente o oferecera a serviço do Eterno. Elias, depois de ouvir de Samuel que, recolhido em seu quarto, ouvira uma voz que se repetira por três vezes chamando-o pelo nome, entendeu que era o Senhor que vocacionava o jovem profetinha, diante do que orientou: “É o Senhor! Se Ele novamente o chamar diga: Fala, porque teu servo ouve”.
Assisto a vida além de participar dela há pouco mais de 50 anos e concluo que são muitos sons, muitas esquinas, inumeráveis possibilidades, equívocos incontáveis, sonhos realizados mais do que frustrados, sol, chuva, precipitações tantas, partidas que causam lágrimas, mas também sorrisos gargalhantes.
Acho que Eli arrependeu-se amargamente pelos atalhos tomados, pelas paixões temporais, pelo brilho nos olhos alimentados pelas vaidades vãs. Acho que relembrou seus tempos de profetinha, quando, apaixonado por Deus, era capaz de subir as montanhas mais íngremes, voar aos céus mais longínquos, enfrentar os mares mais aterradores. Tudo isso em nome Daquele que o vocacionara, que fora capaz de encher seu coração de amor, que o norteara dando sentido inabalável à sua existência.
Ao olhar Samuel, vira a si mesmo. Vira o quanto se desviara do amor primeiro. Pôde tocar seu próprio coração e perceber o quanto estava triste e sombrio, desfalecido pelo pecado, que como sereno da madrugada insiste em ser sorrateiro e constante.
Sabe o velho profeta que só há um caminho capaz de estabilizar a existência. Só há uma voz que, ao ser obedecida, clarifica os olhos turvados pelo natural medo das tantas encruzilhadas em que teimam os nossos pés estarem. Só um que no meio de tantos nos salva da destruição da alma, ao qual devemos de fato e com todo vigor temer.
Eli instrui Samuel, como alguém que um dia deixou de ouvir os dóceis e justos juízos. Sabe o velho profeta que Deus é rigoroso, como todo soberano, mas é igualmente compassivo, absolutamente bondoso, e, portanto, lhe dá um de seus últimos conselhos: “Se Ele o chamar novamente diga tão somente, sem vacilar uma mínima fração de tempo: fala, porque teu Servo ouve”.
Daqui de dentro desta madrugada fria eu rogo a Deus que me afaste das distrações que foram capazes de capitular o coração do velho profeta, e que mantenha em minha alma a chama acesa, a ponto de me alegrar e correr para os braços do Eterno com um sorriso de criança toda vez que ele me chamar, diante do que Ele não ouça outra coisa que não: Fala, porque teu servo ouve!
Revitalização – caminho para o crescimento saudável
Seu pastor,
Rev. Marcos Amaral
ORAR OU AGIR?
03/07/11
“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar” (Lucas 14:28-30)
Estou reformando uma casa. Gastei muito tempo planejando, medindo, pensando, colhendo ideias, levantando custos etc.
Tentei ser como Jesus ensina, prudente. Para, depois de iniciada a obra, ter certeza de que chegaria ao fim.
Para minha surpresa, tenho descoberto, a cada dia, que meu planejamento tem muitas falhas.
Boa parte delas pelas limitações do meu conhecimento e erros de avaliação, outras por imprevistos e surpresas que não eram mesmo possíveis de se antever.
A vida, conforme a parábola, é feita com escolhas responsáveis. Não costuma tolerar aventuras e improvisos. Não perdoa atos inconsequentes, nem omissões.
Portanto, ai daquele que se deixa levar pela vida, como se o acaso desse conta de garantir um bom futuro. Isso só dá certo na rima do samba; neste caso, a vida não imita a arte. No mundo real a vida leva quem se coloca passivo diante dela, mas cobra um preço alto pela carona.
É preciso ser assertivo, ter metas, estratégias e atitude; caso contrário as coisas ficarão pelo caminho; incompletas, mal resolvidas. E pior, quando se edifica uma casa sem a devida prudência e cuidado, duas coisas podem vir acontecer: ela pode se transformar num lugar inóspito, ou pode desmoronar.
Entretanto, nem tudo é previsível, nem tudo é tão lógico, e muito menos racional. Sob o solo, onde se lançam os alicerces, existe um mundo imponderável. Por trás das velhas paredes da casa, existem mistérios e segredos que só serão revelados durante a caminhada. O mundo espiritual conspira, nem sempre é uma questão de causa e efeito, o livro de Jó nos ensina bem isso.
Nessas horas percebemos que nossos recursos são insuficientes, que nossa razão não é bastante e que não temos todas as respostas. Não estamos preparados para tudo que o futuro trará.
Precisamos de ajuda, de socorro, de direção. Nossa visão limitada nos proporciona muitas escolhas erradas. Além disso, há outras coisas que sequer nos oferecerão a oportunidade de escolher.
Ai daquele que acredita que a vida se faz apenas com seus próprios esforços. É preciso ter fé. É preciso oração, é preciso deixar Deus cuidar do imponderável e clamar por sua misericórdia diante dos erros tantos que cometemos frente ao que nos era ponderável. Pois somente a misericórdia de Deus poderá nos livrar de sermos retribuídos conforme as nossas iniquidades.
O desafio que nos cabe é decidir quando orar e quando agir. Pois orar quando se deve agir e agir quando se deve orar facilmente pode nos fazer supersticiosos e arrogantes, respectivamente.
Ambos os equívocos são muito consequentes.
Portanto, viva como os monges beneditinos: “Ora et labora”, ore e trabalhe. Mas sempre nesta ordem.
Paz, naquele sobre quem tudo deve ser edificado.
Pastor Fabio Castro

